segunda-feira, maio 15, 2006

Vida dupla

Fiquei impressionado com a impenetrabilidade da vida pessoal do Mr Apple.
Fiquei a pensar se não seria ele que teria razão.
De um lado a vida profissional, do outro a vida pessoal.
Qualquer uma delas extremamente intensas mas totalmente distintas.
Misturar "negócios com prazer" nunca dá resultado.

Realmente começo a concordar com este senhor que consegue marcar posição face ao "monstro" da Microsoft.

É como o desligar do botão à Sexta-Feira à noite e voltar a ligar na 2ª Feira de manhã.
Só assim podemos fugir ao velho chavão "O fim de semana foi curto".

Quanto mais eficaz for o "desligar o botão" maior será o foco seja na vida profissional seja na vida pessoal.
Melhores serão os períodos de descanso e melhor será a 2ª Feira seguinte ao encarares um novo desafio.

Já agora, convido-te a começares pelas férias, depois pelos fins de semana, pelos feriados, pelas noites, pelas horas de almoço até chegares à pausa para café.

Conseguir abstraires-te totalmente por um instante para descansar....e depois, de volta à carga.

É quase como um super-heroi. Já reparaste que todos eles tinham vida dupla?
Porquê? Porque é que não existem super-heróis a full-time?

Todos necessitamos de um ninho,
Todos necessitamos de um momento.

Todos precisamos de sentir que temos algo de totalmente diferente.

Aquele pedaço de comida que deixamos sempre no final do prato para saborearmos no fim.

quinta-feira, maio 11, 2006

Desconforto vs Curiosidade

Quando perdemos é que damos o valor. Porquê?

Julgo que a nossa mente está condicionada a este padrão comportamental porque somos uma espécie altamente adaptativa.
Posto isto, agimos instintivamente procurando novos desafios e estímulos, por vezes sem chegar a aproveitar o que realmente temos.
Apetece-nos simplesmente pular para outro degrau sem perceber a escada onde estamos.

Este instinto não é mau. É muito bom.
Foi ele que fez descobrir o fogo e é ele que faz evoluir. É preciso é ter bem consciência do que por vezes encontramos e do trabalho que é necessário fazer até ao próximo estágio.

Curiosidade - vontade de conhecer coisas novas - Novas realidades.
A nossa evolução está baseada no pilar da curiosidade.
Então porquê estagnar? Será isso que nos dá conforto? O que é o conforto e como é que isso se reflete em felicidade?

Em culturas antigas praticavam-se rituais de desconforto com o objectivo de "empurrar" o nosso espírito para outros níveis de consciência. No fundo obrigar a nossa mente a escapar para outras realidades e descobrir novas razões.

Estes desconfortos obrigam a nossa mente a procurar Ovos de Colombo.
Mas esta é a postura do "trabalhar sobre pressão".

Existe também a a postura proactiva. Mais serena e planeada mas que exige muito maior nível de maturidade para se conseguir ultrapassar os mesmos obstáculos.
É a diferença entre o espírito "Strakar" e o espírito "Cool"
Sinceramente não sei qual é que me dá mais gozo. Vou aprendendo com um e com o outro.

Uma coisa sei:
Realidades diferentes são inspiração e quanto mais diferentes melhor.
Mais marcantes se revelam as amizades.
Mais sólidos se apresentam os momentos.
Mais saudades causam na nossa memória.

Aprender, aprender, aprender e ensinar.

Aos Amigos por quem tenho tido a felicidade de me cruzar dou-vos o meu abraço. A minha ajuda. O meu bem querer.

Aos outros, o meu obrigado.

terça-feira, maio 09, 2006

Retratos

Há algo de mágico na fotografia do rosto humano.
Observar fotos de pessoas estranhas é como olhar para dentro de nós próprios.
Sonhamos e vislumbramos pedaços de outras vidas, de outros mundos.

Naqueles olhares de quem está no outro lado da foto estão conquistas, percursos, expectativas e frustações, sucessos e derrotas.

Imaginar o porquê daquele rosto ali, naquele momento.
Percorrer as rugas e as expressões imortalizadas no papel.

Deixar a mente vaguear por entre sombras e contornos retratados e encontrar as mensagens que só a nós nos dizem respeito.

Em boa verdade passamos uma vida inteira a interpretar os rostos dos outros para neles encontrar o nosso.

Aqui está um bom exemplo:
http://zonezero.com/magazine/essays/diegotime/time.html

quinta-feira, maio 04, 2006

O efeito redutor do apego

O apego é egoismo
O apego é restritivo
O apego é o que comprime, que aperta e limita.

O apego sabe bem
É ele que te dá conforto.
É ele que te rodeia com pessoas e realidades conhecidas.

Mas repara, são todas do mesmo género, com os mesmos tipos de ideias, princípios ou tendências. São todas iguais a ti.

É natural que queiras, nem que seja inconscientemente, procurar níveis de conforto.
Mas experimenta tocar noutros círculos e beber das suas diversas valências.

Pode parecer que traz solidão, mas não. Torna-te um com todos.

Coloca-te numa posição em que tens que aprender, adaptar e reagir.
No fundo é aprender a colocar em evidência, a relativizar.
Acredito que com a percepção de diferentes realidades torna-se mais fácil encontrar a verdade comum.

Aprendes a não exigir, a não prender. Também aprendes a ser livre.

É no entanto interessante como é esse mesmo "Apego" que avalia no recém-nascido a sua condição física. Curioso não é?

Curioso como o recém nascido aperta os nossos dedos com todas as forças que traz.
Curioso como naquele momento em que ele nos olha nos olhos não existe mais nada no Mundo.
O tempo pára. É logo aí, nesse momento, inicia a sua aprendizagem.
Já agora, não posso deixar de dar um grande Obrigado aos filhos - pelo que nos fazem aprender.

Buda já dizia:
"A jangada é apenas um meio para atravessar para a a outra margem. Depois de lá chegares não vale a pena carregá-la às costas."

Não deixes que as tuas costas se encham de apegos.

quarta-feira, abril 19, 2006

Mordificar

Morder ao de leve
Escorregar os dentes por ti
Sentir-te em mim
Saborear

Agir e modificar
Marcar diferenças
És tu - A Vida construída a cada passo tomado
Para ti há que morder
Há que agarrar com todas as forças e modificar-te
Fazer-te minha

Mordificar, morder ou edificar
Construir e melhorar
E deliciar-se com cada etapa

segunda-feira, abril 17, 2006

Nova forma de poesia

Como seria interessante concretizar uma nova forma de poesia.
Imaginar uma nova forma de transmitir ideias sem rimas fonéticas
Sem métricas nem metáforas hiperbólicas.
Adeus aos clichés e referências a grandes pensadores.

Como seria bom conseguir escrever textos simples, cada vez mais simples, cada vez mais curtos, cada vez mais puros. Até chegar à essência.
Até se acabarem as palavras, até se esgotarem as letras, até deixar de haver tinta.

Apenas um "vvuooooossshhhh" de mim para ti.

Como seria bom conseguir transmitir sem ter que escrever, sem ter que ceder à limitação da linguagem falada ou escrita.

É bem verdade que muitos escritores transformam essa limitação numa forma de arte mas agora sinto que são as Onomatopeias que melhor retratam os dizeres.

Agora, neste momento, gostava apenas de te deixar um despertar para que ele te acorde ao teu tempo.

E a cada pessoa ser capaz de despertar novas experiências próprias.
Em vez de transmitir uma mensagem, criar uma mensagem nova a cada pessoa que lê e a cada nova leitura que faz.

Demasiado complexo ou apenas simples?

terça-feira, abril 11, 2006

Pausa para respirar

Numa pausa respira-se e alcança-se o céu
Numa pausa surge uma ideia, um conceito, um pensamento.
Numa pausa descobri uma tribo
Numa pausa..
...que agora partilho contigo.

Cada ser tem duas faces
Não existe equilíbrio se não viveres o teu lado oposto
Aquele onde guardas os teus receios e as tuas paixões
Os teus desencantos e as tuas raivas

Aprende a saborear o lado Lunar que há em ti
Aprende a compreende-lo e a vivê-lo com intensidade
Ele faz parte de ti - só com ele és um todo

É o lado que explode, que rebenta, que abre horizontes
É a tempestade que liberta - Se a ouvires desaparecem as tuas dúvidas
E depois vem a tranquilidade.

Esse lado é teu e uma vez parte de ti, partilha-o - Com a tua tribo
Só eles o aceitam - só eles compreendem o que não se vê.
São os que te amam primeiro pelo Lunar e depois pelo Solar
Os que recordam os teus defeitos com ternura.

A tua tribo - o que faz de ti imortal.


Já Rui Veloso dizia em "Lado Lunar"
"Se resistir à treva é um amor seguro
à prova de bala à prova de tudo"

You gotta be

You gotta be bad, you gotta be bold, you gotta be wiser
You gotta be hard, you gotta be tough, you gotta be stronger
You gotta be cool, you gotta be calm, you gotta stay together
All I know, all I know, love will save the day

Des'Ree
Album: I Ain't Movin'

quinta-feira, março 30, 2006

O fantasma assustado

Pobre desta alma,
que insiste em não ver
Que a forma de encontrar a calma
Está no dar, não no querer

O fantasma por si só pensa que vê coisas que os outros não veêm.
Como se não bastasse, assustado age irreflectidamente.
Não percebe que todos o veêm.
Que para todos está nu.

Nos seus joguinhos de sedução
só consegue iludir o cego
E ainda por cima este sujeito
não está na sua dimensão

O fantasma está só
Ele chora por afecto e atenção
O seu coração petrificou
Esquecido da sua grande paixão

Há que reencarnar
Há que voltar a viver
O Mundo não está cheio de leões
Apenas de bons corações

quinta-feira, março 23, 2006

Os 3 níveis da macacada

A propósito da Diferenciação que Jack Welch fala, opto por desenvolver a vertente Darwiniana dessa mesma diferenciação.

Ora vejamos:
Imagina o Homem macaco.
A este senhor animal falta-lhe a espontaneidade.
Tem um raio de acção curto, previsível e esperado.
Pauta-se por padrões já definidos. Por fórmulas comprovadas. Sem surpresas.
Ele imita os bons ou os maus exemplos - é uma fotocopiadora comportamental.
Mas falta-lhe aquela ponte de hidrogénio.
Falta-lhe aquele sal.
Falta-lhe aquele inesperado.
Corresponde aos 10% do fundo.

Depois existe o Homem chimpanzé
Senhor do seu nariz.
Suposto pensante.
Convencido de ser um grande estratega.
Imita sem se dar a conhecer.
Padece de um defeito Maior - Pensa que é melhor que o macaco.
A verdade é que não consegue mudar o triste facto de ser símio e ter as mesmas narinas grandes.
Não deixa de ser previsível mas de uma forma imprevisível.
Com técnicas mais apuradas, é certo.
No entanto, não consegue criar ovos de Colombo.
Corresponde aos 70% do meio.

E o Gorila - Nada diz. Simplesmente a vê-los passar.
Há algo de simplesmente arrebatador no olhar do Gorila.
Uma calma tempestuosa.
Uma intransigência permissiva.
Um olhar simples e eloquente.
Como se nos dissesse que é tudo fácil.
E no entanto, capaz de derrubar tudo num único sopro. Num mero desabafo.
Com dedos velhos, sábios.
Sem mágoas nem máscaras.
Apenas ele. Com essas mesmas narinas grandes que constituem agora o semblante sereno.
Apenas o respirar profundo, calmo e tranquilo.
Não há pressas. A vida está aqui.
Aqui estão os 20% de topo.

A Diane Fossey sentiu essa imensidão como ninguém.
Olhares que perscutam a nossa mente e nos despem de dilemas, de encruzilhadas ou indecisões.
Olhares de confiança.

terça-feira, março 21, 2006

Um por todos

Os nossos olhos são amadores face aos do falcão peregrino.
O nosso olfacto está resumido ao essencial.
O tacto ainda vai dando para as curvas.
O paladar tantas vezes ignorado.
A audição ensurdecida com tanta poluição.
E no entanto, porque somos a espécie com mais sucesso?

Porque somos um bom compromisso
São 5 sentidos medianos que nos tornam numa solução eficaz.
E ainda temos um trunfo imbatível - a capacidade de sociabilizar.
De partilhar problemas.
De encontrar soluções em conjunto.
De descentralizar.

A força de Um transformada na força de Mil.
Um autêntico buldozer.

É interessante o nascimento da amizade.
Como um célula a reproduzir-se.
A transmitir os seus genes.
A conquistar o seu espaço.
A viver a confiança e a fortalecer a resiliência.

sexta-feira, março 17, 2006

Sonho e realidade

A necessidade de te provares diferente parece que sai de dentro
Parece que é como uma necessidade de desabafo. Que urge
Que quer rebentar pelo peito fora como uma ansiedade
Como um sentimento que flutua ao som da música.
As portas não abrem nem fecham - não existem.

O voar, o libertar - salta e voa.
O azul.
Apetece rodopiar como um furação onde o seu olho é a tua essência, o teu âmago.
Vôo a pique -Sê Capelo Gaivota - à velocidade do impulso do neurónio.
Puxa as ondas para as tuas mãos a arrepiar... e depois a calma.

É assim - este pode ser um momento de uma vida.

E agora pergunto? Este texto parece incompreensível? Se calhar não é.

Como é que tu te permites libertar?
Nunca cantaste no carro?
Nunca te apeteceu dar um berro sem que ninguém estivesse lá para te censurar?
Permite-te. Explora o que tu és.

Porque não deitares-te no chão a contemplar as formigas se já o fizeste em criança?

Agora já não podes? Talvez.
Mas se isso acontece acredita que não são os outros que o impedem. És tu.

__________________
Vento Harmónico Branco

quinta-feira, março 16, 2006

O negociador

A negociação é uma representação da inteligência humana.
Acima de tudo da inteligência emocional.

Ser capaz de dialogar com pessoas irrascíveis.
Ser capaz de lidar com extremos opostos e fazer com que se toquem.
O chamado "jogo de cintura".

Um pouco como o virus da gripe - adaptável, mutante mas sem deixar de ser o virus que é.
Manter a integridade.

Acompanhar uma discussão acesa e garantir o equilíbrio emocional de cada interveniente, seja com reforços positivos, seja em última análise utilizando o humor como válvula de escape para voltar à carga mais tarde.

Garantir que ambas as partes ficam satisfeitas com níveis de interesse comuns.
Ser capaz de Ouvir as pessoas.
Ser capaz de defender uma tese e ter a maturidade de reconhecer e aceitar as ideias de outros.

Porque é que vizinhos rurais desatam aos tiros?
Porque é que vizinhos urbanos acabam em conflitos tortuosos e esgotantes do ponto de vista psicológico?
Porque é que existem discussões matrimoniais?
Actos de egoismo ou cobardia?

Simplesmente a incapacidade de encarar as discussoes como desafios.
Desafios para os quais precisas saber se queres aceitar ou não.

A propósito, já viste o "Negotiator" com Samuel L. Jackson e Kevin Spacey?
Para mim quem fez sombra foi o Kevin, não o Samuel.

terça-feira, março 07, 2006

Uma palavra apenas

Uma imagem vale por mil palavras
Um sentimento vale por mil imagens

Há alturas que ficamos sem palavras
Há alturas em que as palavras não estão à altura
Há alturas em que as palavras não nos permitem exprimir tudo o que há para dizer.

Como é que explicas o cheiro do teu caderno da primária?
O Perfume da tua primeira paixão ou a borboleta no estômago quando pensas nisso?

Como é que explicas o abraço forte dos teus filhos?

A verdade é que o indescritível tatua.

Talvez por isso mesmo - por ser indescritível - ou então apenas porque para esses momentos existe uma linguagem mais forte, mais tua - só tua.

Aquela linguagem "nativa" que não usa apenas a audição e a fala.

Aquela que faz de ti o que tu és e que passa para o outro lado entre palavras, no espaço que medeia uma silaba e outra mas que no fim causa por vezes coisas tão simples como:
"Não sei porquê mas gostei de o ouvir falar"

A linguagem do toque;
A linguagem do olhar;
A linguagem do cheiro ou de outro sentido qualquer.

No fundo a linguagem da tua alma - aquilo que se calhar não queres dizer mas é o que querias dizer.

A linguagem que às vezes fala português, outras inglês, outras uma língua tão rápida que nem percebes como é que te vês a "dizer" o que disseste.

A tua Palavra.

E essa Palavra é sempre sugestão para início de novos textos - novos desafios.

Demagogia

Tantos e tantos exemplos por esse mundo de pessoas válidas que insistem em perder-se em dissertações retorcidas, labirínticas e tortuosas, tangenciando o incompreensível, em tentativas vãs de elevação dos seus discursos.

Outros há que tentam com frases distintas, chavões requintados e palavras caras, dar sentido e significado a pensamentos despojados de conteúdo.

Não será mais simples colocarmos de lado os nossos mestrados, doutoramentos ou canudos de papel que o valham e de uma forma directa, concisa e objectiva pensarmos primeiro, e depois transmitirmos as nossas ideias, para que nos entendam?
Não é para isso que criámos a linguagem? Para que nos Escutem?

Discursos demasiado elaborados ou então simples mas desconexos resultam invariavelmente numa de duas situações:
Ou o ouvinte literalmente ensurdece e adormece;
Ou o ouvinte atento desilude-se com o vazio imenso de um discurso despropositado e notoriamente rabiscado à pressão, no momento em que é proferido.

Parece-me sempre mais eficaz discursos curtos e acutilantes suportando-se em metáforas ou comparativos, utilizando para tal conceitos inerentes à cultura local.


E depois veio o Agostinho Da Silva.
Simplicidade e entusiasmo numa linguagem directa e refrescante.

Não te conheci.
Não segui a tua obra.
Não sei qual é o teu percurso.
Mas uma coisa um dia eu vi – Vi o teu olhar.
E nesse momento fui aluno.

Obrigado Agostinho.

quinta-feira, março 02, 2006

Pelicano

Assisti ontem a um espectáculo degradante de um Pai que tentava ensinar o seu filho a ser guarda-redes.
Foi triste ver um homem a insultar o seu filho numa tentativa vã de transformá-lo num bom guarda-redes.

Para já este homem não merece ser chamado de "Pai" - talvez "pai" sem o P maiúsculo porque para mim, nesse momento, esse homem só era pai biológico - mais nada.

Para mim, nesse momento vi uma sombra de homem, revoltado com a sua vida e com a sua barriga que descarregava as suas frustrações no seu filho que por seu lado perdia a olhos vistos o seu gosto pelo futebol.

Fiquei sem saber quem era a criança e quem era o homem.

Em contraponto relembro o carácter do Pelicano.
O Pelicano é um animal que, quando não consegue alimento para seus filhotes, amamenta-os com o próprio sangue e carne.

Dá que pensar e dá também para perceber que toda a inteligência de um homem é colocada em causa quando confrontada com as raízes da sua Natureza.





Esta criança merecia aprender com o Pelicano.

quarta-feira, março 01, 2006

E=mc2

Relativizar é dos melhores exercícios que se podem fazer.
É a golfada de ar da Baleia que vem à superfície após 20 minutos de tranquilidade.

É importante relativizar.
Quando estás no limite das tuas forças e sentes o suor a escorrer pelas canelas é natural que penses que podes ser o melhor do Mundo - diria que é natural - é a explicação para tanto esforço. No fundo és só mais um que luta e que está cá para aprender mais uma vez.

Podes sempre relativizar com temas como a Etiópia, Madagáscar ou Haiti. E depois?
É tão distante que não te toca efectivamente.
Se calhar vale a pena relativizar com o teu "colega de carteira"
Ou quem sabe com o teu Pai. Que tal?
Pensar por exemplo quais as questões com que o teu Pai se debatia quando tinha a tua idade.
E pensar também que para ti, nessa altura, ele era simplesmente o Maior.
Tal como os teus filhos pensam isso de ti agora.

Relativizar é saudável.

Vendo bem as coisas a fórmula E=mc2 pode ser interpretada como uma forma diferente de ver a vida. Julgo que esta fórmula tem propriedades comutativas.
Tal como Einstein disse que se viajássemos à velocidade da luz o tempo parava, também considero que se o tempo parar, viajamos à velocidade da luz.

Um exemplo:
Experiências de Quase Morte - o tunel escuro, a luz brilhante, o cérebro em colapso ou a passagem para outra vida? pergunto se isto não é viajar à velocidade da luz?
Tudo se passa num momento. Num ínfimo espaço de tempo, tão ínfimo que quase para.

No fundo, se dividíssemos o nosso dia em ínfimas partes veríamos que talvez é possível preencher os espaços vazios encontrados com experiências com significado - com conteúdo.

Diria que o desafio é dantesco.
Aceitas?

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Convicções

É sempre bom encontrar alguém com convicções.

Todavia, as pessoas com convicções nem sempre são bem compreendidas pelos demais.
Existem vários exemplos na história.
Especialmente se as suas convicções não são politicamente correctas e ao invés de serem partilhadas pelos demais seguem simplesmente o sentido contrário do curso do rio.

É difícil ser-se truta mas é de louvar a convicção deste animal.
Porque quem tem convicções é na verdade um verdadeiro animal.
Animal no sentido da Força e da Vontade.

Diria que à primeira vista quem tem convicções tem uma base sólida pelas quais essas mesmas convicções se rejem - caso contrário não se trata mais do que pura e incompreensível teimosia.
E é tão fácil cair no erro da teimosia...

A trindade Teimosia,Orgulho e Autismo é demolidora.

São os 3 pecados mortais do pensamento construtivo.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Tempo

"Preciso de tempo para..."
"Quando tiver tempo vou..."
"Ontem não fiz.."
"Amanhã vou fazer.."

Ser feliz é ter tempo?
O que é o Tempo?
Se repetirmos várias vezes.."Tempo"..."Tempo"..."Tempo"... o que é que surge?
Apenas 5 letras que se conjugam numa palavra.
Com ou sem significado - somos nós que o damos.

Alguém lembrou-se de dar uma cadência ao dia e à noite.
Contabilizar todas as experiências que ocorrem entre Luas.
Atomizar experiências.
Explicar as rugas no rosto.

Só que tal como aconteceu com a Madame Curie, o feitiço virou-se contra o feiticeiro.
Agora é o "Tempo" que comanda, em vez de ser um acessório.
O Tempo é agora uma cláusura.
Somos dependentes do "Tempo" que criamos.

às 09h00 tenho que fazer x,
às 14h00 tenho que fazer Y.

E voltámos ao
"Preciso de tempo para..."
"Quando tiver tempo vou..."

Não é absurdo?

Infelizmente temos essa tendência. Esquecermos o porquê das coisas e a determinada altura já faz parte - já não nos livramos dos conceitos.

Sabem que já houve um mundo sem telemóveis? e funcionava!
Um mundo sem contratos? E a palavra de honra funcionava!
Um mundo sem moeda - imagine-se!

Convém ter espírito crítico e tentar saber os porquês, ainda que esporadicamente.

Às vezes convém sair da bolha e ver de fora.
Solidifica conceitos e ao mesmo tempo serve para identificar ridículos.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

O grande palco

Do nosso ponto de vista somos o centro de tudo o que nos rodeia.

Convém saber que:
Não somos responsáveis por tudo de mal que acontece.
Não somos autores de tudo de bom que acontece.
Não somos vítimas nem omnipotentes.
Somos actores.

Somos actores do palco que construímos
Podem ser os amigos - Pode ser a família.
Podem ser milhares de desconhecidos.
Pode ser a cara-metade.

O palco é para se desfrutar.
Para abrir os braços o mais que puder e agradecer.
Não para baixo. De cabeça para cima!
Obtendo tudo a que se tem direito.

Tal qual Amália.
O palco estava no seu sangue - era a sua fonte de vida.
E Ela sabia-o.
E como bebia da sua força...

Onde tocam as palmas, na alma do actor?
Que arrepio relampeja pela espinha do maratonista na volta de consagração?
Qual a força da lágrima que desponta nos olhos do forcado?

São as agruras da vida e as dificuldades que dão corpo a essas sensações.
E é o palco que as despoleta.
O teu palco. A tua vida.

Saboreia